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Artesanato, beleza natural, bairrismo, pacatez e uma saudável valorização das suas riquezas etnográficas tornam Pardilhó uma das mais belas localidades da Ria de Aveiro.

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RECUPERAÇÃO DA RIBEIRA DA ALDEIA, PARA QUANDO?

Bem se sabe como a ribeira da Aldeia é uma sala de visitas em Pardilhó. Por seu turno Pardilhó será ainda, no pensar de muita gente, a sala de visitas do concelho de Estarreja. O cheiro característico da ria, a tasca ali existente e o apreciar a prática da canoagem continuam a ser boas razões para fazer-se da ribeira um ponto de visita habitual.

No entanto é pena que o acesso seja o que é. Os últimos metros de estrada até à ribeira não são alcatroados nem têm paralelo. São sim de terra batida e com muitos buracos. Mais se agrava a situação quando chove, criando-se um enorme lamaçal. Um problema ligeiramente atenuado pelas reparações que a Junta ali fez há pouco mais de uma ano, que diminuíram em muito a inundação permanente da maré-cheia em parte do cais.

Apesar de tudo as pessoas vão à ribeira da Aldeia, juntando-se ali muita gente quer à semana quer ao fim de semana. Temos sempre lá encontrado muitos automóveis estacionados, mais umas quantas motorizadas e bicicletas. Toda aquela gente vai passar um bocado de tempo à tasca ribeira, que é feita em madeira. Se as leis fossem outras talvez os seus proprietários tivessem preferido construí-la em tijolo...

Os problemas, bem se vê, são vários: maus acessos e má iluminação pública, proibição de construção e desprezo do espaço envolvente. Era preciso alcatroar ou meter paralelo na rua até à ribeira, iluminar o local, ajardinar o espaço envolvente acrescentando algumas mesas em madeira ou cimento e dentro de determinados limites permitir a construção. Mais dois detalhes: subir o cais e dragar a ria, que hoje é preciso esperar-se pela maré cheia para fazer entrar ou sair qualquer barco.

Conhecemos mil razões, todas elas com os pés bem assentes na terra, para que exista em Pardilhó um museu da construção naval, e a ribeira da Aldeia deverá ser o sítio melhor para o acolher, ou no terreno do lado sul do cais ou no da Junta onde está o pré-fabricado da canoagem. Naturalmente teria de ser uma coisa pensada com vistas largas, cujo edifício poderia incluir um espaço digno para a juventude da canoagem. Não caberá na cabeça de ninguém que atletas com provas dadas de muito bons resultados trabalhem com as condições actuais, num pré-fabricado. Bem precisam dum balneário (que não têm), um ginásio e lugar onde possam guardar as canoas. Parece-nos mais adequado de ser chamado de «apoio ao desporto» um tal melhoramento do que aqueles famosos 10 estádios de futebol. É que, além de tudo o mais, o único desporto que o povo poderá praticar nesses estádios é sentar o rabo, e os clubes amadores como o Saavedra, que existem de norte a sul do país, são os responsáveis pelo treino desportivo da juventude, tempo de qualidade que faz bem aos jovens e desvia-os de muitos dos maus caminhos que se lhes apresentam. A canoagem em Pardilhó é um bom exemplo, que também tem levado o nome da terra a todo o país e trazido taças importantes para a sala de trofeus do Saavedra.

Tal empreendimento, dum museu bem planeado e com outras valias anexas, nem custaria muito dinheiro, se o compararmos ao muito mais que se desperdiça em coisas que não têm razão de ser. O arranjo camarário projectado para a ribeira tem aspecto de estar de molho. Desde a sua primeira aparição nunca mais deu de si. E o principal problema parece estar na lei e em quem, por causa dela, manda na ria e áreas envolventes. Para quando o organismo inter-municipal gestor da ria? Já não estará ela suficientemente mal tratada e subaproveitada?

O ESTALEIRO DA RIBEIRA DA ALDEIA

Feito em madeira, existe um estaleiro de construção naval na ribeira da Aldeia. Foi fundado por Manuel Dias Bastos, em 1956, e é hoje dirigido por José Duarte da Silva, com 72 anos, que trabalhou para o fundador desde a construção. Depois do 25 de Abril a construção naval em madeira começou a decair e hoje são mais as reparações do que as construções ali feitas. Mas só de barcos de recreio, em madeira, que barcos típicos da ria não são ali feitos. O estaleiro não terá, porém, continuidade. Fechará as portas quando se aposentar o seu último mestre.

M. P., Outubro de 2003

 

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