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Artesanato, beleza natural, bairrismo, pacatez e uma saudável valorização das suas riquezas etnográficas tornam Pardilhó uma das mais belas localidades da Ria de Aveiro.

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CONSTRUTOR NAVAL DE PARDILHÓ HOMENAGEADO PELA CÂMARA DA MOITA

Jaime Ferreira da Costa, construtor naval natural de Pardilhó e radicado no concelho da Moita, foi homenageado pela Câmara Municipal daquele concelho em 16 de Setembro último, dia do município da Moita e das festas de Nossa Senhora da Boa Viagem, que ali se festejam. A homenagem teve honras de sessão solene no salão nobre dos paços do concelho e foram distinguidos na mesma ocasião a Sociedade Filarmónica Estrela Moitense, com Medalha de Honra, e o Mestre José Lopes, do estaleiro do Gaio, com Medalha de Mérito. Todos os anos, nesta data, a câmara da Moita costuma promover iniciativas idênticas. Jaime Ferreira da Costa (ou Jaime “Lavoura”, para os seus conterrâneos), proprietário de um estaleiro naval na localidade de Sarilhos Pequenos, foi agraciado com a Medalha de Mérito Municipal, dourada, por ter contribuído para a divulgação e engrandecimento do concelho da Moita através da sua nobre e artística profissão, a construção e recuperação de embarcações típicas do rio Tejo.

Os barcos típicos do Tejo encontram-se em vias de extinção, tendência que algumas câmaras locais têm procurado inverter, através da aquisição e reparação de algumas destas embarcações, que têm sido utilizadas principalmente no turismo local. A vizinha câmara do Seixal possui mesmo um pequeno eco-museu dedicado a este tipo de barcos, um espaço onde podem ver-se algumas ferramentas e outros objectos da arte, além de muitas fotografias do estaleiro de Sarilhos Pequenos. Este eco-museu, situado na freguesia de Arrentela, além de expôr essencialmente material com origem no estaleiro de um pardilhoense, está instalado no mesmo local onde antigamente existia um outro estaleiro naval de mais um Mestre natural de Pardilhó.

Presentes na cerimónia, além do presidente e todo o executivo camarário da Moita, bem como a governadora civil de Setúbal, estiveram alguns familiares do homenageado: seu filho Jaime Costa, o primo Ventura Lavoura e, surpeendendo-o, surgiram os irmãos José Bento, Lucinda, Carminda e Lurdes, e ainda os sobrinhos António Lopes de Almeida e António Patinha da Costa.

Em algumas palavras de agradecimento pela homenagem que lhe era prestada, Jaime Ferreira da Costa mostrou-se lisongeado e reconhecido pela mesma. E, frente ao presidente da Câmara da Moita, à governadora civil de Setúbal e todos os demais presentes afirmou que, tendo atingido a presente fase da sua vida e sendo altura de fazer dela um balanço, sentia ter cumprido o seu dever de cidadão, em primeiro lugar como pardilhoense, destacando com letras maiúsculas o nome da sua terra natal. Tal acto assume maior importância não só por mostrar que o Mestre Jaime não se esqueceu da sua terra natal mas ainda porque a imprensa da Moita, seguindo aquilo que parece ser tradição naquela região, esqueceu-se de mencionar a origem de um valor do concelho!

Teminada a cerimónia o presidente da Câmara da Moita convidou todos os familiares do Mestre Jaime Ferreira da Costa para um almoço de confraternização, que foi servido no restaurante Club da Ria, na Baixa da Banheira

Falta-nos por fim agradecer ao sr. Ventura Lavoura, que tem sido os nossos olhos e ouvidos na região do Vale do Tejo, pelas informações que nesta e noutras ocasiões nos tem ajudado a conseguir. O nosso muito obrigado.

Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos

1943. Começa a funcionar um estaleiro de construção e reparação naval, com o nome «Estaleiro de Viana», pertencente a António Viana (natural de Viana do Castelo).

1955. O «Estaleiro de Viana» é adquirido por Jaime Ferreira da Costa, natural de Pardilhó.

Nos anos 50 e 60 o estaleiro de Sarilhos Pequenos teve o seu auge, chegando a empregar 38 pessoas (entre calafates, carpinteiros, serradores braçais, soldadores, maçariqueiros, assentadores de chapa e pintores) na construção e reparação de fragatas, varinos, canoas, botes e traineiras (além da reparação de embarcações metálicas).

1961. Criada uma sociedade por quotas que passa a ser a proprietária do estaleiro, constituida por Jaime Ferreira da Costa e José Bento Ferreira da Costa, irmãos. O estaleiro naval passa a designar-se «Jaime Ferreira da Costa & Irmãos, Lda», nome este que se mantém até hoje.

Com a construção das duas pontes sobre o Tejo e após o 25 de Abril  houve um declínio das actividades tradicionais do tejo.

1982. Abolida a sociedade entre os dois irmãos, o primeiro forma uma nova sociedade com os seus filhos, sendo ele próprio sócio maioritário.

2003. A empresa mantém um cariz familiar, empregando 10 trabalhadores.

São seus clientes algumas câmaras minicipais do distrito de Setúbal, especialmente a da Moita (é no estaleiro do Mestre Jaime que o varino municipal deste concelho tem a sua manutenção anual).

O estaleiro de Sarilhos Pequenos tem aparecido nas mais diversas publicações alusivas a região do Vale do Tejo e é presença constante em reportagens televisivas sobre o mesmo tema. É, por isso, um embaixador dos barcos típicos do Tejo no país.

Jaime Ferreira da Costa

Mais conhecido em Pardilhó por Jaime “Lavoura” (alcunha da família), Jaime Ferreira da Costa nasceu nesta freguesia a 27 de Maio de 1924. Foi com o Mestre José Lavoura, seu pai, que aprendeu a arte da construção naval, à semelhança dos seus irmãos Henrique (que teve um estaleiro, hoje inactivo, a caminho da Ribeira da Aldeia), José Bento e Adelino. O estaleiro do pai em Pardilhó e a casa onde viveu na sua infância ficavam na Rua da Imprensa. Esta família construiu embarcações de tipos diversos em Pardilhó, Torreira, Furadouro, Espinho, Afurada, Costa Nova, Vagueira, Matosinhos e outras localidades.

Jaime Ferreira da Costa passou a trabalhar em 1944 em Setúbal e daí passou para o Gaio (concelho da Moita). Em 1955 estabeleceu-se em Sarilhos Pequenos (Moita) como mestre e proprietário, local onde se encontra ainda hoje mantendo o seu estaleiro activo.

M. P., Outubro de 2003

 

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