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Artesanato, beleza natural, bairrismo, pacatez e uma saudável valorização das suas riquezas etnográficas tornam Pardilhó uma das mais belas localidades da Ria de Aveiro.

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Breve revista à história de Pardilhó

Sem grandes monumentos históricos ou acontecimentos marcantes no seu passado, a freguesia de Pardilhó parece estéril de História. É, porém, difícil resumir em poucas palavras as pequenas referências históricas que lhe encontramos. Não se sabe muito sobre Pardilhó, até porque, e seguindo um pouco o que se passa com muitas outras freguesias, escasseiam os documentos e os seus investigadores não passam de raros interessados filhos da terra, que se dedicaram à descoberta do seu passado nos tempos livres, por vezes com alguma fantasia...

Questão engraçada e nunca acertada é da origem do topónimo. Embora várias hipóteses tenham aparecido ao longo dos tempos a que parece fazer mais sentido (na opinião do Monsenhor Miguel de Oliveira e de Marco Pereira) é a de o nome vir de "paredelho", numa clara alusão às paredes das primitivas marinhas de sal que estiveram na origem do primeiro povoamento da zona há mil anos.

A imaginação dos amantes da história local levaram a que noutro tempo se generalizasse, como se fosse verdadeira, a lenda de que o primeiro habitante de Pardilhó fora Pedro Ribalta, um degredado que viera para estas terras cumprir a sua pena. Embora fantasiosa a história poderá ter algum fundo de verdade, sendo possível ter realmente existido algum Pedro Ribalta que fosse abastado proprietário rural e, como tivesse deixado a parte ou o todo dos seus bens à Igreja, recebendo em troca - como era, aliás, comum - um infindável número de missas por sua alma, com o tempo formar-se-iam lendas a seu respeito. De qualquer forma, o lendário Pedro Ribalta manteve-se um pouco no imaginário popular como tentativa de justificar também o ser S. Pedro o orago da freguesia. Este, porém, será o S. Pedro não só por tratar-se do santo protector dos pescadores (e a freguesia ter fortes ligações às actividades económicas especialmente ligadas à ria de Aveiro), mas especialmente por ser algum Pedro (talvez aquele Pedro Ribalta) quem instituiu a primitiva capela de S. Pedro, à qual sucedeu a igreja com a mesma invocação.

Pardilhó assenta em terrenos que há alguns séculos estariam submersos, e ter-se-á formado por aluvião a partir de terras conquistadas ao mar, acompanhando a formação da ria de Aveiro, através de um lento e moroso, mas progressivo, assoreamento.

A primeira referência à freguesia é-nos dada pelo Monsenhor Miguel de Oliveira, numa monografia de Ovar, onde diz que no tempo em que D. Guiomar era abadessa do convento de Arouca, pelos anos de 1346 a 1357, se fez uma lista dos casais e herdades nas terras de Antuã e Avanca, que passaram a ser da posse deste convento por doação de D. Afonso III, em 1257. Sobre esses casais e herdades, na parte de Avanca, fala-se, entre outras propriedades, no lugar de «Pardilhoo» (ou «Pardelhoo» - o duplo O teria provavelmente a função do O acentuado), onde se contavam pelo menos cinco casais e uma herdade chamada das Chãs e do Cavalo e uma outra do Castelão. Menciona-se também um casal do Telhadoyo e uma marinha de Talhadeiro, referindo-se estas duas propriedades, talvez, ao actual lugar do Telhadouro, em Pardilhó, onde existe um esteiro.

Embora não encontremos referências mais antigas à freguesia podemos fixar, com certeza, num passado mais remoto as origens de Pardilhó, pois conhecem-se documentos de maior idade relativos a terras vizinhas com a mesma origem geológica, como a Murtosa. Mais o denuncia a existência de salinas em Cabedelo (Válega) já no século X.

Pardilhó nasceu dependente da paróquia de Avanca. Em 1601 o Bunheiro ganha a sua autonomia como freguesia eclesiástica e Pardilhó é-lhe então anexado. Logo em 1638 inicia-se a construção da primeira igreja de Pardilhó, mas é provável que fosse feito apenas um restauro ou ampliação à então existente capela de S. Pedro. Já em 1644 funda-se a Confraria do Santíssimo Sacramento e a autonomia como paróquia ganha com ela verdadeira expressão. Uma segunda igreja - ou restauro à primeira - data de 1740. A actual é inaugurada no dia de S. Pedro de 1835, ainda inacabada, com uma angariação de fundos para a sua construção que se iniciara 1798, começando as obras em 1812 (data que corre erradamente como sendo a idade do edifício já construído).

Existem várias capelas, donde se destaca a de Nossa Senhora dos Remédios, de 1717, e que é a construção mais antiga da freguesia. A de Santo António, inaugurada em 1937, e construída por impulso e em boa parte a expensas do benemérito António Joaquim de Rezende, substituiu outra que existia no largo da Igreja e fora demolida por intermédio deste pardilhoense, com o fim de melhorar a apresentação do centro da freguesia.

Aquando as invasões francesas, mais precisamente na segunda (comandada por Soult), dá-se a presença em Pardilhó de tropas napoleónicas, as quais saquearam a freguesia.

Com as reformas liberais do século XIX, que também se fizeram cá sentir, o convento de Arouca perdeu os direitos que tinha em Pardilhó (1834) e demais freguesias do concelho (no território correspondente ao Couto de Antuã), das quais recebia impostos havia seis séculos.

Ovar, que por várias vezes tentara incluir Pardilhó nos seus limites concelhios, consegue-o finalmente em 11 de Outubro de 1926, graças às mudanças políticas que se operaram em Portugal nessa época e que levaram o Almirante Jaime Afreixo a assumir interinamente o cargo de ministro da Administração Interna. Caso Pardilhó não fosse anexado a Ovar seria, provavelmente, dias mais tarde, anexado ao concelho da Murtosa, que entretanto também ganha autonomia. A estadia em Ovar não dura, no entanto, mais que ano e meio, voltando de seguida aos limites do concelho de Estarreja.

Também culturalmente a freguesia é de grande riqueza. Em 1901 funda-se o jornal "O Concelho de Estarreja", pela mão de Egas Moniz (Prémio Nóbel da Medicina em 1949, que viveu toda a sua juventude em Pardilhó), e tendo como director Saavedra Guedes (que veio a apadrinhar uma associação pardilhoense). Destinando-se então ao combate político é hoje um dos mais antigos jornais do país, continuando com periodicidade mensal, apesar de nascer semanário.

Entre as figuras ilustres de pardilhoenses encontramos membros do alto clero (Bispo de Gurza/Arcebispo de Cízico - Índia - D. Manuel Maria Ferreira da Silva), um Governador Civil de Aveiro (Dr. Jaime Ferreira da Silva), o Padre Donaciano de Abreu Freire, António Joaquim de Resende, Saavedra Guedes, Egas Moniz - que cá viveu até à idade adulta -, o escultor Maurício de Almeida e diversos músicos, entre outros.

O Associativismo sempre teve aqui grande expressão, especialmente devido ao isolamento geográfico da freguesia, que a isso obrigou. Destacam-se, nesta área, a Banda Club Pardilhoense, fundada em 1874, o Club Pardilhoense, que existe desde 1908, e a Associação Cultural e Recreativa Saavedra Guedes, nascida de um grupo dissidente da Banda Club Pardilhoense, em 1934, e que é hoje uma associação de referência no âmbito do desporto a nível regional e nacional. Ao longo dos anos estas colectividades tornaram-se famosas pelas suas actividades culturais e, especialmente, recreativas, sendo grande a competição entre si no passado. Foi talvez através do associativismo que mais se expressou o grande bairrismo pardilhoense. Há a destacar o teatro de grande qualidade e os bailes que as duas colectividades proporcionaram ao longo de décadas, que chegaram a ser considerados os maiores do distrito.

O «Sindicato Nacional dos Carpinteiros Navais dos Distritos de Aveiro e Coimbra» teve já aqui a sua sede, o que só por si mostra a ligação pardilhoense à água e construção naval, comprovada ainda pelos vários esteiros existentes.

Merece também destaque na freguesia a construção civil, que criou raízes nas últimas décadas e foi a profissão com que muitos dos seus filhos contaram para buscar uma melhor vida através da emigração. O artesanato, finalmente, assume bastante importância aqui, sendo Pardilhó considerado por muitos a «capital do artesanato» e a «sala de visitas do concelho de Estarreja».

Postal de 1913 com a feira dos 9 e a antiga capela de Sto. António

 

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